sábado, 22 de novembro de 2008

O Caso Jeremiah (lê-se Diêremai)

Mais uma semana se passou em Wi Dells, minha primeira semana aqui, mas apesar de todas as diferenças que estou sofrendo em relação ao Brasil, percebi muitos aprendizados que tive, além de inúmeras histórias que tenho para contar. Uma delas é o Caso Jeremiah (lê-se Diêremai).

Mas antes de contar a respeito do Caso Jeremiah, vou relatar sobre o meu dia, que por ser mais um dia aqui em Dells não teve nada de grandes acontecimentos.

Bom, quinta-feira foi um dia normal, nada demais, levantei, caminhei, trabalhei, caminhei e voltei para casa, porém teve um fato interessante durante o meu dia de trabalho. Estou lá tranquilamente fazendo meus afazeres subwayanos que, do nada no decorrer da tarde quem chega na loja? O dono, nosso querido Boss, porém estávamos todos bonitinhos, comportadinhos, como excelentes funcionários, que ele a princípio não falou nada, porém ele veio em minha direção e foi quando ele abriu aquela boca cheia de dentes e pareceu uma matraca ambulante, auhauod uhasuhushfuash uahuahauhaiuh uahuahuaha, foi o q eu entendi, credo, quase morri do coração com aquele tanto de palavras, pensei: “Pronto, to fazendo alguma coisa errada aqui e fudeu para mim”. Foi ai que chegou a Syada, a japonesinha do Kungstão, que por sinal ela se tornou minha tradutora inglês-inglês aqui, para nos ajudar na comunicação, foi ai que com muito custo e luta eu entendi mais ou menos ele falando que o rapaz que viria arrumar a internet aqui no dormitório estava aqui e estava fazendo o conserto. Gente, pense na minha alegria, eu iria ter internet novamente, eu seria um garoto ON LINE again. Olha a carinha =))) hehehehe

Bom, voltei para casa correndo depois disso (correndo no sentido figurado da palavra, porque correr num frio desses e na distância que separa o dormitório do trabalho, eu morreria na primeira esquina). Enfim, cheguei em casa, fui louco para o computador, parecia um cachorro babão quando vê carne, tava felizão da vida, ligo meu note, coloco para conectar na internet, puxa, coito interrompido é foda, o que eu pensava que tinha entendido do boss eu não tinha entendido era nada e aqui não tinha internet por.. nenhuma, pense na tristeza e depressão que bateram na hora. Foi foda, mas mantive firme, não deixei a peteca cair, ehhehehe.

Poucos minutos depois, chega meu roommate Bruno, contei para ele sobre o acontecido e pedi para que fossemos no escritório aqui ao lado para ver se conversávamos com a esposa do chefe e ver se ela sabia de algo a respeito e nós dois juntos tentaríamos entender alguma coisa que ela falava . Ele desesperado por internet também, topou sem objeções e fomos lá. Chegando no escritório, que é bem aqui ao lado mesmo, 7 metros daqui, vimos aquela imagem maravilhosa, que benção divina, parecia um bilhete sorteado da megasena, reinava na nossa frente o cara que iria arrumar a internet, parecíamos como dois cachorros babões assistindo aqueles frangos girando na porta de supermercado, uahuahaha. Nem precisamos falar muitas coisas e poucos minutos depois, PAM PAM PAM PAMMMM, estávamos on line (e o melhor, sem passar frio =). A parte que a internet daqui é lenta e uma bosta e praticamente não conseguíamos entrar em nenhum site, nem no email, nem no Orkut e nem no MSN a gente pula, puxa, pra que estragar tanta felicidade. E foi assim o restante da noite, tínhamos uma internet que não funcionava direito e a gente tentava ficar conectado, mas foi bom, nos distraímos com essa pseudo felicidade aqui, ehehehee.

Bom, opa, chegou sexta-feira, era Day Off do Bruno, porém work hard (trabalho pesado) para mim. Ele queria ir no Wal Mart comprar algumas coisas e eu tinha que ir trabalhar e como os dois tem a mesma direção, resolvemos sair de casa juntos. Nesse dia eu iria trabalhar das 12:00 as 20:00 da noite aqui, então saímos era umas 10:30 e logo em seguida cada um tomou o seu rumo.

Fui trabalhar, chego lá, as meninas já estão bombando fazendo os sanduíches, arrumando algo daqui, atendendo um cliente dali. Eu cheguei, vi aquele cenário e pensei: “Opa, hoje eu escapo dos maravilhosos tomates e frangos da vida” e de repente eu só escuto: “Mourilou, can you prepare some tomatoes and teriakis (frango com molho) for us, we are needing (Mourilou, você pode preparar alguns tomates e teriakis para nós, nós estamos precisando)”, “Bosta, tomates e frangos de novo, justo o que eu não queria, que merda!”. E lá vai eu preparar aqueles tomates vermelhos e franquinhos lindos. Sou sortudo mesmo, foda!!!

Terminado este job, vou eu para a frente, faço um sandubão dali, tento entender um americano de língua enrolada daqui, faço contorcionismo com o corpo e com a língua dacolá para tentar falar com os colegas e assim vai passando o dia, nada de grandes acontecimentos. Até que pouco depois do cair da noite (4:30 da tarde) quem chega na loja, nada mais nada menos que Jeremiah (lê-se Diêremai).

Jeremiah (lê-se Diêremai) tem 22 anos, é um cara branco, cabelos curtos e loiros, magro, mais ou menos da minha altura e muito falante. Meu primeiro contato com ele foi no meu primeiro dia aqui em Wi Dells, para ser sincero, depois dos meus chefes (que foram me buscar na estação de trem) ele foi a segunda pessoa que eu vi nesta cidade. Meu primeiro contato com ele eu já fiquei chocado (para não perder o costume), porque apesar de ter uma aparência normal, ele estava usando um bigodinho ralo, loiro e com as pontas enroladas igual a gente vê em filme de spadachim, fiquei doido com aquele bigodinho ridículo que na hora o impacto foi tão grande que talvez tenha até sido por isso que eu escorreguei na poça d’água posteriormente na porta do Mac Donalds, tão assustado que eu estava, ou não, não sei, deixa pra lá.

Bom, mas neste dia, por incrível que pareça Jeremiah, o qual se lê Diêremai, ehhehe, tinha feito a barba e estava com uma aparência digamos agradável. Ele é muito engraçado, apesar de eu não entendê-lo muito bem, eu vejo seus movimentos e percebo o que os clientes falam e ele repete tudo, ele é como aqueles churrasqueiros que você chega e pede: “Por favor, uma picanha” e o churrasqueiro responde: “Uma picanha assadinha e gostosinha saindo da brasa agora, olha que maravilha, ta no gosto do freguês, prontinho senhora, vamos levar mais um franguinho que hoje ele ta campeão, etc etc etc” e assim é o Jeremiah, o freguês pede e eu vejo, ou melhor, escuto ele falando um monte de coisas assim, mais ou menos nesse sentido, e eu fico rindo por dentro, para não dar gargalhada por fora na frente dos fregueses.

Pouco tempo depois que estávamos trabalhando juntos, a loja estava vazia, estávamos só nós dois e começamos a conversar. Começamos falando pela família, Jeremiah é um cara que mora junto com a irmã num lugar que ele falou e que eu não entendi, mas parece não ser muito longe dali, perguntei sobre sua mãe e ele respondeu que esta morava em outra cidade e parece ter uma vida normal, mas quando toquei no assunto do pai, ele não se sentiu muito a vontade em dizer, falou um monte de coisas que pelo que entendi a polícia não gosta muito dele e ele não é um bom homem. Resolvi encerrar esse assunto mais pessoal digamos assim, e fomos falar de empregos. De empregos Jeremiah parece ser bom e nisso ele falou que estava trabalhando em um hotel, achei interessante e falei que gostaria de ter um segundo job também e perguntei a respeito do trabalho dele no hotel. Foi nesta hora que Jeremiah pareceu se transformar, seus olhos arregalaram, sua pronúncia mais trabalhada (apesar de eu não entender) e seus gestos mais espontâneos. Jeremiah falava como se estivesse num filme de terror, ele falava que era um lugar que não era bom, que o gerente massacrava os funcionários e que ele trabalhava como um escravo. Enquanto ele contava a respeito desse trabalho, eu fui até ficando assustado, ele fazia caras e bocas que eu pensava que ele estava sendo torturado, pois ele falava de uma maneira tão medonha, que eu comecei a ficar com medo também, eu comecei a imaginar um filme de terror, onde o gerente é o Frankstein e o que ele te perseguia o tempo todo. Jeremiah chegou a relatar que se eu fosse trabalhar lá eu iria correr risco de vida, quase morri nessa hora, realmente fiquei assustado. Mas o mais engraçado dessa história é que apesar do Jeremiah falar com uma ênfase tão medonha, ele disparava a falar rápido e eu pedia para ele falar devagar para eu entender, mas sei lá, ele deve ser retardado ou achar que eu sou, só pode, porque eu falava para ele falar devagar e ele falava monossilabicamente, parecia que tava falando um ditado e eu pensava: “O burro, é para falar devagar e não silaba por sílaba”. E assim foi.

Voltei para casa, esse dia eu realmente estava destruído, havia trabalhado 8 horas e meia seguidas sem sentar um único minuto, contando as caminhadas eu estava a mais de dez horas de pé, fácil. Cheguei em casa e fui dar aquela relaxada na internet, conversar com o povo e passar o tempo. Isso já era umas onze da noite aqui (3 e pouca da manhã no Brasil) e eu olhando a janela do meu MSN para ver se tinha alguém para conversar, eu vejo um tal de Bruno Matos, e eu espontâneo que sou, falo em alto e bom som: “Bruno Matos, quem será esse banana aqui no meu msn?”, e o meu roommate que estava sentado no computador atrás de mim (foto abaixo), responde: “Oi, você está falando comigo?”. Puxa que mancada, era o MSN dele e eu nem tinha percebido, quase morri de vergonha na hora, mas fazer o que né, já tinha dito, pedi desculpas, fiz uma brincadeirinha sem graça e ficou por isso mesmo. Sou banana de mais, meu Deus!!!

Bom, foi isso, nada mais.

Abração.

Um comentário:

Aline disse...

Mininu!!! rs... Q dias vc tá tendo aí, hein!!! :) Adorei ler sobre! E morri de rir tb, principalmente desse dia aí do MSN com seu roommate... rs... kkkkkk...
Ei, sucesso pra ti!
Bjos :)